Os Crimes do Padre Amaro

fragmentos da vida de um monge ateu

mail do padre
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sexta-feira, outubro 31, 2003
 
Darwinistas
Só mais uma frase esperta para animar os espíritos para o fim de semana chuvoso que se perspectiva:
«A seguir à Bíblia é o Darwin.»
Disse-o um dos muitos doutorados do nosso país. Vou ver se acredito.


 
Francisco Louçã - O difamador
Nessa mesma sessão pública, Fransico Louçã disse algo que terá deixado a audiência perplexa, apesar do silêncio sepulcral que se manteve na sala. Disse Francisco Louçã que «antigamente a pedofilia nem crime se considerava» e que era mais ou menos do domínio público que «Calouste Gulbenkian, no seu tempo, vivia no Hotel Tivoli com raparigas menores de 18 anos, que quando atingiam essa idade eram substituídas por outras com menos de 18 anos».
Francisco Loução dixit, Padre Amaro ouvixit, com estes ouvidos que a terrinha há-de comer...


 
Francisco Louçã - O conferencista
Não me fazendo rogado por ter de enfrentar um dilúvio cortado a vento e a chuva da grossa (não fossem os dilúvios mais ou menos isto), fui assistir ontem à noite a uma sessão pública organizada pelo Bloco de Esquerda no Teatro Paulo Quintela da Faculdade de Letras de Coimbra. Contava-se com a participação sempre prestimosa de Francisco Louçã (procurando esconder o telemóvel ao entrar na sala, sinal de comprometimento com a apregoada Esquerda caviar), António Marinho (o tanque de arremesso contra o sistema judicial português) e o moderador, do qual agora me escapa o nome. Diria eu que, para o ramalhete ficar completo, apenas ficou a faltar o mítico fazedor de histÓria Fumando Brocas, sempre tentando reescrever a história por todas as linhas, mais tortas elas sejam.
O tema da sessão pública era a prisão preventiva. Pessoas presentes não eram muitas. Eu, na pele de Padre Amaro, e pouco mais. A intervenção de António Marinho debruçou-se sobre a prisão preventiva e sobre as condições de vida nas prisões. As intervenções de Francisco Louçã derivaram mais para o campo político, abarcando outros campos de batalha em que este bloco vai dispondo as suas peças.
Fiquei ligeiramente decepcionado. Se António Marinho seria imbatível por qualquer boneco da Contra-informação, já Francisco Trostkã tem, fora de dúvidas, bastante mais piada do que o Louçã que lhe deu origem.
Frase a reter:
«A direita portuguesa é a mais estúpida de toda a Europa.»


terça-feira, outubro 28, 2003
 
De volta aos convocados
A atenção à emissão especial de amanhã, dia 29, da Rádio Universidade de Coimbra para a inauguração do Estádio Cidade de Coimbra. As anti-aéreas começam a disparar a partir das 13 horas, bombardearemos na direcção da panóplia de convidados que constituirá o painel de comentadores para esta inauguração, e findos os 90 minutos, só nos permitiremos cessar as hostilidades quando o cuco cucar a meia-noite. Até lá, o jogo será o Académica-Benfica. Quem não conseguir sintonizar a RUC em 107.9 Mhz, poderá fazê-lo então através da emissão online em www.ruc.pt. Se conseguir... Em Timor, Xanana Gusmão não perde um jogo da Académica...


terça-feira, outubro 21, 2003
 
Para quem anda com falta de ouvido
(Quando eu vou cantar
Você não deixa
E sempre vem com a mesma queixa
Diz que eu desafino
Que eu não sei cantar
Você é tão bonita
Mas tua beleza
Também pode se enganar)

Se você disser que eu desafino, amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de anti-musical
Eu mesmo mentido devo argumentar
Que isto é bossa-nova
Isto é muito natural
O que você não sabe
E nem sequer pressente
É que os desafinados
Também têm coração
Fotografei você na minha Rolleiflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão
Só não poderá falar assim do meu amor
Que ele é o maior
Que você pode encontrar
Você com a sua música
Esqueceu o principal
É que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
É que no peito dos desafinados
Também bate um coração.


A. C. Jobim & Newton Mendonça


segunda-feira, outubro 20, 2003
 
Sobre o Dia do Mancebo II
E o que dizer da história de chamarem a esta iniciativa um «convite», quando os jovens foram afinal coagidos a comparecer numa base militar, sob pena de sobre eles recair uma coima que pode ir de 250 a 1250 Euros? Será isto constitucional, pergunta o Padre...


 
Sobre o Dia do Mancebo
O comentário que me apetece fazer sobre esta iniciativa é que a considero uma autêntica palhaçada. Um número de circo. A mente iluminada que teve a brilhante ideia de convocar três mil jovens de 18 anos, do sexo masculino, para passar um dia na Base Naval do Alfeite merecia, ela própria, passar uns diazinhos num quartel sem grandes condições no interior de Portugal para conseguir entender que raio de carreia aliciante é essa que tentam fazer ver aos jovens mancebos. Pergunto-me se nesse dia de sessão de esclarecimento também demonstraram aos mancebos como se faz uma cama bem feita, como se utiliza uma vassoura, ou como se lava uma bela latrina cagada. Ou como se serve submissamente os superiores hierárquicos, ansiosos por carne fresca que lhes eleve o ânimo, ego, e alguma obra lá por casa que tenha de ser aprumada. Provavelmente não houve tempo...


domingo, outubro 19, 2003
 
Poção do Amor
O caso absurdo desta semana: para aqueles mais desapaixonados aqui fica a «Poção do Amor»:
5 dl de chá preto;
2 colheres de sopa de açúcar;
algumas rodelas de pêssegos frescos;
rum.

Faz-se o chá, que deverá repousar durante cinco minutos para depois misturar com açúcar a gosto. Depois de deixar arrefecer, vamos colocar as rodelas de pêssego no fundo de copos altos e regá-las com um pouco de rum. É então que se enche os copos com o chá já frio. A poção do amor só será verdadeiramente de um Cupido que se preze depois de juntar dois cubos de gelo em cada copo e brindar. Sobre o que vier a seguir, o Padre Amaro enjeita qualquer responsabilidade.
Esta receita é dedicada à leitora «Quase Apaixonada».


 
Vidro Azul
Já houve quem sabiamente dissesse: «este é o melhor programa da rádio portuguesa». Tratava-se da mãe de Ricardo Mariano. E a mãe de Ricardo Mariano raramente se engana no que trata a assuntos da índole da sua filial. Este, agora sou eu que digo, é mesmo o melhor programa da rádio portuguesa. Pelo menos da rádio portuguesa séria. E quem ouse pensar o contrário que apareça para me desdizer. Ao pé do Vidro Azul a Íntima Fracção era só mesmo uma ínfima fracção.
Vidro Azul, segundas-feiras, das 22 às 23, na sua rádio de eleição. (O blog também é bastante bom, vale a pena ver.)


 
Última hora: o Padre Amaro está vivo!
É de informar os estimados clientes desta chafarica blogueira que o Padre Amaro não está verdadeiramente morto - apesar da sua aparência cadavérica -, apenas se encontra moribundo, afectado por maleitas diversas, de corpo e mente, e que, ao contrário de infames boatos que se fazem circular por toda esta blogosfera, o Padre Amaro continua activo. Se o nosso Príncipe de Roma se demonstra pronto para outras 28 voltas ao mundo e para mais uns 140 anos de Pontifício, também o Padre Amaro, apesar de todas as convulsões internas e atentados contra a sua honra, bom nome e esbelto físico, se vai aguentando por cá, para dar e vender... preocupações.


segunda-feira, outubro 13, 2003
 
Não mandem mais alheiras, eu já estou bom!
Quero agradecer, do fundo dos meus ainda infectados alvéolos pulmonares, aos milhares de fãs e respectivas famílias que enviaram votos de recuperação, pintos e alheiras de chaves, e que obstruíram com esses gestos de carinho a minha caixa de correio electrónico com frases como «foi uma pena, estiveste quase lá, foi uma pena, tive uma certa esperança». A esses e a todos os demais, o meu sincero agradecimento. Não é em vão que vos digo isto, o vosso apoio foi mesmo importante, pá. Pior do que esta gripe asiática, só mesmo um pratinho de gambas com ébola. Oxalá este Inverno não me desiluda.


 
Noite de spots na Rádio Universidade de Coimbra
A noite é de gravação de spots para a nova grelha da Rádio Universidade de Coimbra. Afinam-se as vozes e os espíritos criativos prostram-se ante a incapacidade de ir mais além. A presença de Fernando Alvim por estas paragens animou as hostes, numa noite que se prevê, para já, longa, de ideias ruminantes e de cafés esquecidos. Voltemos à tempestade cerebral que se faz tarde.


domingo, outubro 12, 2003
 
A minha semana de time-sharing na morgue mais famosa do país...
Não, não fui fazer as vezes de Paulo Pedroso nos calabouços do Estabelecimento Prisional de Lisboa, Ala P. Fui apenas acometido de um surto de gripe asiática que me obrigou a um recolhimento forçado em unidade hospitalar, longe de tudo e de todos, inclusive das enfermeiras mais voluptuosas. Ultrapassada a fase do isolamento e da câmara hiperbárica, é com um prazer desmedido que anuncio, para infelicidade de muito boa gente, e de gente ainda pior, que voltei, e que voltei bastante pior do que já era. Por isso cuidem-se... Bom...