Os Crimes do Padre Amaro

fragmentos da vida de um monge ateu

mail do padre
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quarta-feira, setembro 24, 2003
 
Humor corrosivo (para rir enquanto houver dentes para isso)
João Quadros regressa em grande com a sua A Armada Invisível. Qual Pacheco Pereira!? Este é mesmo o melhor humor da blogosfera.


 
Quem é que escreve este guião? (5)
"Eu sou um catedrático da sedução"
por Zezé Camarinha

Já agora gostaria de saber onde é que são dados esses cursos. Sobretudo porque acho que o meu inglês não está a contento.


 
Quem é que escreve este guião? (4)
"Piu!"
por Pintainho

Genial!


 
Quem é que escreve este guião? (3)
"Você realiza alguma espécie de ritual antes, durante ou após o ato de escrever?
Para começar um novo livro,estabeleci para mim mesmo um sinal - encontrar uma pena branca"

in Entrevista a Paulo Coelho, no sítio pessoal do mesmo

Apelo à mobilização geral para a eliminação pura e simples de todas as aves de pena branca, galinhas, gansos, catatuas, patos, patas, cegonhas, anjos, cisnes, gaivotas, pombas da paz, robin dos bosques, etc., etc., etc.. Todas as perdas serão, quando comparadas com a verve ameaçadora de Paulo Coelho - o rei do lugar comum -, um mal muito menor para toda a Humanidade.


 
Quem é que escreve este guião? (2)
"É verdade que você escreveu O Alquimista em quinze dias?
Sim. E, geralmente, todos os meus livros são escritos num período de duas a quatro semanas. (...)"

in Entrevista a Paulo Coelho, no sítio pessoal do mesmo

Fica então tudo explicado, caro Paulo Coelho. Tudo aquilo que eu ainda não tinha percebido.


 
José Cardoso Pires
Um dos mais brilhantes escritores de sempre da língua portuguesa é recordado hoje ao serão na RTP1, com a transmissão de um documentário sobre o autor e do filme O Delfim de Fernando Lopes, baseado no romance homónimo de Cardoso Pires. Se há nomes que não podem cair no esquecimento, o de José Cardoso Pires é um deles. A Câmara Municipal de Lisboa, ainda no tempo de João Soares, prometeu uma rua com o seu nome. Como tantas vezes acontece, ficámo-nos pelas boas intenções.


terça-feira, setembro 23, 2003
 
Quem é que escreve este guião? (1)
"Sou uma pessoa muito ocupada e estou aqui a dar um contributo para a Educação deste país. Não tenho tempo para estar a verificar se o que escrevo tem erros."
Por JHF

O país agradece o esforço, mas receio que se a ideia é dar um contributo para a Educação deste país, corrigir os erros daquilo que se escreve é capaz de ser o passo inicial a considerar. O segundo é em direcção ao precipício.

"Falo-vos desta feita sobre como formar a equipa de Operações perfeita. Na minha larga experiência da àrea de Sistemas, já fiz parte de equipas, umas boas, outras nem tanto, já fui chefiado por chefes mais ou menos bons, e como Director, já tive colaboradores bons e menos bons e até mediocres que tive de me livrar deles rapidamente.
Um bom colaborador nota-se logo pela aparência. Por exemplo, se é preto, usa cabelo comprido, brinco na orelha, barba por fazer, veste-se de gangas ou cheira mal, então posso desde já afirmar que não serve.
Não perca tempo com este individuo e passe ao próximo. Refiro-me as entrevistas iniciais.
A questão do preto exige uma explicação. Eu não sou rascista. Mas existem pessoas para todo o tipo de trabalhos e a minha experiência já confirmou que informática simplesmente não é o forte dos pretos."

Por JHF

Eu cá também não sou "rascista", mas digo o mesmo: as blogas simplesmente não são o forte dos informáticos.

"Hoje utilizamos CD's e DVD's (ainda mais recente que o CD) para fazer os nossos backups. Estes são discos opticos que funcionam por mecanismos de raios lazer, pelo que devemos ter cuidado e nunca olhar para o disco quando esta a gravar pois podemos danificar os olhos.
Os DVD's são muito melhores que os CD's. Gravam muito mais depressa, porque o CD so pode ter musica digital enquanto o DVD tem uma razpidez maior que equivale à da musica, mais às imagens que são muito maiores que a musica, logo é muito mais rápido."

Por JHF

Estes dois últimos parágrafos são de antologia, pelo que qualquer comentário destruirá toda a beleza de uma prosa tão envolvente. Lexicólogos e etimólogos deste país, ponham os olhos neste case study.


 
Quem é que escreve este guião? (editorial)
Inauguro hoje uma rubrica, intitulada 'Quem é que escreve este guião?', na qual me comprometerei a reproduzir as melhores pérolas de pensamento que ousem ameaçar-me as dendrites. Aqueles espertalhões que se assoberbarem a pisar-me os calos neuronais estão feitos comigo, fica o aviso. Por vezes entramos em confronto quasi físico com pensamentos, frases, irreflexões, que julgamos impossíveis brotar da inteligência de um comum mortal. Concluímos que só seres predestinados, reveladores de uma inteligência superior e alienígena poderão reunir as condições determinadas para reproduzir certas pérolas. A título de exemplo, não tenhamos quaisquer dúvidas de que os comentários de cada um dos jurados dos 'Ídolos' se encontram previamente escritos, enredados por uma vasta equipa de guionistas experientes e especializados nesse difícil registo que é o 'comentário de jurados de concursos de tv': "excitou-me mais o Borba do almoço do que a tua prestação"; "Tenho lá em casa um puto que tem um choro mais afinado do que a tua voz"; "Quando estás no acto sexual também tens um grito tão estridente?" (Lembro-me de há uns anos ouvir a então desconhecida Inês Serra Lopes dizer a um concorrente de A Filha da Cornélia: "não gostei de teu desempenho, estava uma porcaria". É ver onde está a Inês Serra Lopes agora, e compreendemos que isto de ser júri de concursos televisivos pode arruinar a carreira de alguém tão promissor.)
Devo confessar que a inauguração desta rubrica foi inspirada por esse vulto que a breve trecho se comprometeu a contribuir decisivamente para a Educação deste país. Não cumpriu, decepcionou-nos, mas mesmo assim o país espera pelo seu regresso heróico numa manhã de nevoeiro. De pé, minhas senhoras e meus senhores, para aplaudir com todo o sentimento, João Hugo Faria.
JHF registou a passagem mais fulgurante mas, ao mesmo tempo, uma das que marcas mais profundas deixou nos espíritos da blogosfera. JHF desapareceu sem deixar rasto, toda a blogosfera chorou a sua perda, mas o mito, meus senhores, esse, permanece vivo. Bem vivo!

(Podem utilizar integral ou parcialmente o texto que vos escrevi, desde que mencionem explicitamente a sua origem, acrescentando ao final do texto a nota "Por Padre Amaro" ou simplesmente "Por PA".)


segunda-feira, setembro 22, 2003
 
O seu a seu dono. Nota: a frase do post anterior ”Os campeões fazem-se da boa gestão dos recursos disponíveis” é ‘por JHF’. Era importante esclarecê-lo. (Essa bíblia das blogas já desapareceu, infelizmente, mas muito em breve procuraremos recuperar aqui alguns dos melhores concelhos dôtorais desse géneo da cumunicassão, João Hugo Faria.)


 
A prova de que Fernando Santos é um génio!
Os campeões fazem-se da boa gestão dos recursos disponíveis. Os jogos Moreirense-Sporting e FC Porto-Benfica vêm reafirmar aquilo que quero dizer. No primeiro, o jogador do Sporting, Clayton, conseguiu contrariar com algum escândalo todas as regras de probabilidades ao falhar um golo de baliza aberta a poucos minutos do fim, quando o resultado se encontrava ainda empatado a zero. No final do encontro, o Moreirense viria a marcar e o Sporting perderia o jogo por 1-0.
Na partida FC Porto-Benfica, o jogador Ricardo Fernandes apontou um canto do qual surgiria a cabeçada suicida do jogador Argel na direcção da própria baliza e o segundo golo dos portistas.
A boa gestão dos recursos humanos está aqui. Na época de defeso, Sporting e FC Porto chegaram a acordo para trocar estes dois jogadores; Ricardo Fernandes ingressou no Futebol Clube do Porto, Clayton veio para o Sporting. O primeiro está a jogar a titular e tem marcado e dado golos a marcar. O segundo tem sido suplente e, na altura em que foi chamado para tentar ajudar a resolver um jogo complicado, desperdiçou uma oportunidade de baliza aberta e fez o Sporting perder 3 pontos.
É nestas astúcias de balneário que se vão construindo campeões.


domingo, setembro 21, 2003
 
Esquerdalho cultural abocanha poder na SPA
A Sociedade Portuguesa de Autores tem uma nova direcção. Manuel Freire, o cantador do hino "A Pedra Filosofal", derrotou a lista liderada por Vasco Graça Moura, que já declarou com veemência estar absolvido desses pecadilhos que infamemente lhe foram apontados: além de ter afirmado que já teria regularizado as quotas da SPA em dívida, disse também não ser ele o autor de O Meu Pipi.
Dois aspectos me inquietam relativamente à mudança de direcção na SPA. Era óbvio que quando se está durante 30 anos a gerir uma instituição como a SPA se enquistam aqueles vícios próprios da vertigem do poder, e que, quase como por usucapião, as pessoas encarregadas do exercício de gestão deixam de agir como meros mandatados do grupo, para se comportarem como 'mandões' do grupo (chegando até, facto de maior preocupação, a assumir-se como 'latifundiários' da criatividade).
Luís Francisco Rebello ocupava a cadeira principal da SPA há 30 anos, transfigurando a imagem da instituição para um feudo de cariz familiar, ao mesmo tempo que olvidava aquilo para que vinha sendo eleito: a defesa dos interesses dos autores portugueses.
O que sucede é que, numa situação em que alguém ocupa o poder durante 30 anos (e aqui apenas se pode falar de complacência por parte da maioria que o foi reelegendo), surge a tentação perigosa de querer mudar tudo. Mudar a qualquer custo. A eleição de Manuel Freire sugere-me um cenário perigoso, a implantação de um PREC na Sociedade Portuguesa de Autores, o que me conduz desde logo à ideia de saneamentos mais ou menos arbitrários, de limpezas cirúrgicas, da politização decadente de uma instituição que, mais do que outra, deve unir-se em defesa dos ideais da liberdade de expressão artística e criativa. Uma politização da SPA alimentaria o pior dos cenários para a classe artística. Nisto tenho de concordar de com o Pedro Mexia, quando este fala na "ditadura cultural da esquerda". O discurso de Manuel Freire aponta para pôr ordem na casa: auditoria às contas da Sociedade, limpeza da estranha poeira que paira para os lados da Duque de Loulé. Acho que é importante saber com o que se pode contar quando se toma conta de um novo lar. Mas é também importante que essa nova ordem na casa não descambe para os excessos e tão tentadores desejos de revanche que sempre se deixam adivinhar em situações como esta.
Ao ouvir o discurso da liberdade e da democracia deste novo resfolegar da SPA, não posso deixar de me sentir titilado. Será que ao longo dos últimos 30 anos a SPA viveu debaixo de um regime de autocracia. Não tenho conhecimento de que o senhor Luís Francisco Rebello tenha caído no cadeirão da SPA há 30 anos e permanecido por lá colado por acção divina.
A outra coisa que me inquieta, tendo em conta que a SPA é uma sociedade de autores e que o presidente deve ser um entre pares, é saber há quanto tempo é que o Presidente Manuel Freire não é autor?


sábado, setembro 20, 2003
 
34 mil palavras, 4300 visitas. À deriva desde 17 de Julho de 2003. O que fazer com isto?


sexta-feira, setembro 19, 2003
 
Anda Pacheco!
O Pacheco Pereira mostra-se por estes dias um bocadinho irritado com a emergência fulgurante da bloga Muito Mentiroso. Desconfio que aquilo que inquieta o Pacheco nem será tanto a inefável tendência do senhor Mentiroso para fugir à verdade, mas um outro factor que toca fundo o autor do Abrupto. (No Muito Mentiroso só acredita quem quiser, e julgo que ao Pacheco Pereira conviria talvez recordar que uma das principais características do "pacto ficcional" no discurso narrativo é precisamente a concessão do leitor no que respeita à suspensão temporária da sua incredulidade.)
Vamos lá a saber: será verdade ou mentira que aquilo que mais preocupa o PP é que, à conta de toda a desinformação espalhada pelo Muito Mentiroso, este se arrisca já a ser o sítio mais procurado da blogosfera, ultrapassando de longe as 4 mil visitas diárias do Abrupto? É ou não verdade que isso incomoda o Pacheco Pereira, e muito? Porque é que o Pacheco Pereira vai articular o seu comentário semanal de Domingo na SIC com a existência desta bloga. E porque é que tudo vem sendo mantido estranhamente em segredo tanto pela SIC como pelo PP? Não será porque o factor surpresa atrai a audiência televisiva, sedenta da novidade incógnita? E não significará isto a comercialização do comentário político? Será isto coerente com as posições assumidas por Pacheco Pereira? Ficam as perguntas…


 
Comentário de uma mãe extremosa
- Tu é que és o muito mentiroso?
- Não!
- Tu és o muito mentiroso.
- Não sou não!
- De certeza que não és o muito mentiroso?
- Não sou, pelo menos que me lembre.
- Bom, mas então sabes quem é!
É o que dá, quando se tem a fama e os outros nos ficam com os proveitos.


quinta-feira, setembro 18, 2003
 
Para o “oráculo” do Jornal Nacional da TVI, o Bastonário da Ordem de Advogados chama-se José Miguel Judíce. Se me é permitida a citação livre de uma das jornalistas mais conceituadas da TVI, à laia de um comentário “para bom entendedor um monossílabo basta”, franzo o sobrolho e digo então: “É!...”


 
Hoje alcançámos um recorde de visitas. Isto só demonstra que cada vez há mais gente com menos que fazer, sinceramente...


 
SIC quase desmascara anónimos famosos
A SIC quase ia conseguindo matar dois coelhos de uma cajadada só. Depois de ter entrevistado em exclusivo na emissão da manhã da SIC Notícias o autor de O Meu Pipi (sem sequer ser terem apercebido disso), ia conseguindo também um rigoroso exclusivo com o autor da bloga Muito Mentiroso. O que se ouve por aí é que o Mentiroso terá garantido aparecer para uma entrevista em directo no Jornal da Noite, só que até ao momento ninguém lhe pôs a vista em cima. O pessoal da estação de Carnaxide está pior que estragado! Esperemos que o Mentiroso não estivesse num outro canal a essa mesma hora...


 
SIC muito mentirosa
A SIC andou a anunciar com insistência em mensagens de rodapé pouco antes das 20 horas uma entrevista exclusiva no Jornal da Noite e respectiva revelação da identidade do autor da bloga Muito Mentiroso.
Ao ser anunciada igualmente a presença do comentário avalizado do charmant Manual Maria Carrilho, confesso que senti um arrepio na espinha. Temi o pior. Não, pensei eu, este talvez seja mentiroso, mas lá muito mentiroso é que ele não é. Bom, e daí... Felizmente, o filósofo português que escreve originalmente em Francês para que posteriormente alguém possa ter o prazer de traduzir a sua obra para o idioma luso, limitar-se-ia ao bom do bitaite sobre os temas da actualidade, para além de despertar nos espíritos portugueses a aquela curiosidade recorrente quando se avista o senhor Guimarães: "como é que o gajo dá aquele jeito à poupa, caneco?" Até ao final do Jornal da Noite, a única entrevista que mereceu o destaque foi a do Presidente Jorge Sampaio, a bordo de uma embarcação sobre as águas do Bósforo. Tenho a certeza de que o Jorge Sampaio não é o Muito Mentiroso. Disso eu tenho a certeza, não me venham cá com coisas. É tudo uma questão de ordem lexical, é que até ao momento as minhas ávidas leituras do blog Mentiroso têm dispensado qualquer recurso ao dicionário.
Mas quem é afinal este mentiroso da blogosfera? A SIC não só não revelou qualquer identidade sobre o muito mentiroso autor dessa bloga, como não houve entrevista exclusiva nenhuma, mas apenas o conteúdo de uma mensagem de correio electrónico que o sr. Mentiroso teria enviado em resposta à solicitação da SIC. Já que nos querem entreter a fazer jornalismo com fait-divers que são garantia de audiências, talvez fosse bom fazê-lo como deve ser. Desta forma, o espectador sente-se defraudado, enganado. Quem me garante que devemos mais crédito ao trabalho jornalístico da SIC do que às aleivosias do Muito Mentiroso? Mau jornalismo... mas muito boa estratégia comercial.


 
18 de Setembro de 2003, este dia vai marcar um baby-blog-boom. Já os estou a cheirar!


 
Este post vai explodir na última frase
Descobri que o fascínio por esse tareco da blogosfera, o Gato Varandas, não é afinal a única coisa que me une à excelentíssima Charlotte. Da Avenida de Roma à Fnac do Chiado, temos em comum muito mais do que se possa imaginar. Recordo um 6º piso, um elevador à Lisboa antiga, o bulício da cidade rumorejando no calor de um Verão intenso através da janela escancarada. Lado a lado com a porta desse prédio a ainda rara Valentim de Carvalho concorrendo com os pastéis de massa tenra e as míticas saladas de fruta da Frutalmeidas em esquina, um reclamo da Regisconta num edifício mais adiante (aquela máquina).
Não consigo esconder a emoção. Comovo-me sempre que encontro alguém que poderá ter vindo ao mundo na mesma marquesa em que a minha esforçada progenitora afastou os joelhos e arfou até que eu me decidisse a despachar o trabalhinho a parteiras e parturiente. A Clínica de São Miguel, que hoje não existe para lá da nossa tão enriquecida memória, é mais do que um ponto de união.
A última vez que ouvi falar do local onde nasci foi para saber que existia agora como um lar de idosos. Dando razão à voz do povo “do pó vieste, ao pó irás parar” (ou, como algumas mentes perversas insistem em desvirtuar, “do pau vieste, ao pau irás parar”). Não deixa de ser irónico, aquilo que antes foi local onde se deu vida ter sido transformado num depósito de velhinhos com ansiedade à espera para morrer.
Charlotte, marcamos encontro em S.Miguel, sabe-se lá, daqui por uns… 350 anos. Sejas ainda fisicamente viva por essa altura (se já fores fantasma, dispenso). Para já, parabéns por essas 33 longuíssimas voltas completas em torno do Astro-Rei. Já deves estar zonza de tanta voltinha! Mas, do mal o menos, vê tu, confesso que te julgava substancialmente com mais idade. É assim, a televisão faz-nos sempre mais velhos. Que o diga aquela figurinha simpática, a Gisela do Masterplan, a quem a televisão colocou no tempo em que ainda os trogloditas ameaçavam transformar-se em homens e mulheres.
Bem, para já ficamos por aqui. Como diria um jovem palestiniano do Hamas: “Bomba, venha de lá esse abraço!” BUM!


 
Fungos na relva
Os relvados do nosso país andam pela hora da morte. O caso mais preocupante é o do novo Estádio Alvadade XXI, cuja superfície não tem mais do que três ou quatro jogos disputados e já paz à sua alma é clamada por gente de todos os quadrantes futebolísticos. Os especialistas argumentam que o problema deriva de um fungo que se infiltrou velhacamente na zona em que as raízes se tocam umas às outras, na zona da pouca vergonha, por assim dizer.
Não se pode dizer que este fungo seja estranho ao povo do futebol, já que há muito tempo os efeitos deste bichinho vêm atacando corpo e cérebro das gentes da bola. Se os efeitos cerebrais provocados pelo vírus se revelam quase nulos (na medida em que o exercício matemático nos faz compreender que de uma nulidade nada se pode subtrair), vamos já reparando que os locais do corpo onde a coceira ataca são os mais diversos. Algumas partes se destacam, como a zona ”Fernando Couto”, junto à orelha (esquerda e direita indiferenciadas); a zona ”Cristiano Ronaldo”, o futebolisticamente designado cachaço; a zona "Carlos Queiroz", cotovelos e braços; a zona ”Jose Antonio Camacho” sovacos e axilas; e a mais comichosa de todas, a zona ”Jorge Costa”, virilhas e testículos. Se tudo isto é derivado de um problema de fungos na relva, o conselho que deixo aos jogadores portugueses é que deixem de se atirar inutilmente para o tapete verde (com prejuízo para a sua saúde), e que, em vez de comerem a relva, adoptem métodos menos prejudiciais. Que façam como os ingleses, que a transformam em chá, ou, preferencialmente, como os holandeses, que a fumem.


 
A SIC Notícias vem à blogosfera
Fui despertado esta manhã pela exibição na SIC Notícias de uma série de peças acerca do universo da blogosfera portuguesa. Pelas 7:30 o canal de notícias propunha-nos a abordagem mais mainstream da blogosfera portuguesa, referências inevitáveis às duas blogas de Pacheco Pereira (tanto o varão como os menos mediáticos Estudos Sobre o Comunismo), uma antevisão do Encontro de Weblogs a realizar nos próximos dias 18 e 19 na Universidade do Minho e, pasme-se, um encontro via correio electrónico com o anónimo autor da bloga Muito Mentiroso.
Não deixa de me parecer sintomático, e assaz preocupante, quando um dos objectos de um estudo jornalístico é alguém que levanta calúnias (por enquanto e até prova em contrário não passam de acções caluniosas, apesar de uma coerência que exige ser investigada, há ali sumo) e que se diz ‘muito mentiroso’. O autor assume que mantém a bloga por uma questão de alimento do ego, pelo ‘orgulho’ que lhe provocam as dezenas de milhar de pessoas que semanalmente acedem ao seu espaço, e que não dá a cara simplesmente porque nunca conseguiria provar as referências que imputa a um suposto GOVD que lhe envia cartas. Ora, meus amigos, assim também eu!
O modismo da blogosfera chegou à televisão, muito por culpa do Papa da blogosfera, mas seria, julgo, mais interessante mostrar às pessoas que o universo das blogas ultrapassa em muito as mais mediáticas figuras, e que os melhores e mais interessantes exemplares do bloguismo nacional surgiram das mãos de comuns mortais, exemplares anónimos que encontraram neste meio forma de trazer as suas reflexões pessoais a um mais abrangente número de pessoas.
Para as 8:30 está prevista a presença em estúdio de um dos autores da bloga Gato Fedorento. Desconhecia que os senhores dessa bloga socialmente desviada eram tão madrugadores. Eu cá sou… mas a única coisa que tenho é uma cadela malcheirosa. Está na hora.
A SIC Notícias deverá repetir as peças ao longo do dia.

O JN traz também as blogas para a sua primeira página de hoje. É oficial, as blogas estão na moda!


quarta-feira, setembro 17, 2003
 
O novo 'sex symbol' das mulheres ricas com mais de 65 anos
Um sentido agradecimento aos Leopardos das Estepes pelo elogio a JCB (José Castelo-Branco), um homem que considera que ser “chique” é algo que se transporta nos genes. É como aqueles artefactos que vêm de origem nos automóveis. Confesso que fiquei bastante preocupado. Será que trago esse bicharoco dentro de mim? Fui indagar a minha progenitora, fiel depositária da minha herança genética, mas esta não soube responder-me e deitou cá para fora um arroto de desprezo.
Para entender que o "chique" lhe está nos genes, ao conhecido dealer bastou-lhe aprender a distinguir entre as coisas que entram dentro de si (alimentos para o corpo) e aquelas que não lhe saem do espírito. Quanto a mim, não me resta alternativa senão fazer o exame de ADN.


 
Vou (des)fazer a barba.


terça-feira, setembro 16, 2003
 
Foda à moda de Monção
Ando em passeata por terras do Minho e acabo de chegar de uma conhecida casa de pasto onde perdi a vergonha no que toca às matérias do gozo palatal. Achei que, já que vinha para terra de acepipes tão afamados, havia de pedir manjar que me enchesse medidas. E assim atirei sem vergonha à empregada: “Queria uma foda à moda de Monção”. O que me trouxeram foi isto.
Um momento importante, que ousei saborear com a devida atenção, o qual importa partilhar com o sensibilizado leitor. É que é preciso dizê-lo, a minha vida sexual nos últimos 24 meses resumiu-se a este manjar dos deuses.


 
Miss Itália 2003
Em matéria de misses, a tradição em Itália ainda é o que era. A cerimónia de escolha da mulher mais bela decorreu ontem à noite, transmitida pela Rai Uno para todo o mundo num espectáculo digno do mais tradicional glamour transalpino. Coisa em grande, quase uma centena de concorrentes, todas esbeltas e bastante castas (até prova em contrário), luz, cor, pernas ao léu e dentição reluzente. Pelo que me foi dado perceber, um concurso levado bastante a sério lá no sítio.
Pergunto-me agora quem terão sido as misses de Portugal da última década. A resposta é que recordo os vencedores das últimas 5 edições do Big Brother, do Masterplan e da Operação Triunfo, mas que não faço ideia de quem foram as nossas mais bonitas dos últimos anos. Terão sido, com quase toda a certeza, meninas à espera de concluir o nono ano, desejosas de seguir a área das Humanidades ou da medicina veterinária, e cujo maior sonho seria abraçar a carreira de modelo e ajudar todas as crianças pobres do mundo. Estas candidatas representavam quase sempre o modelo daquilo que não são verdadeiramente as mais bonitas mulheres do nosso país, mas um exemplo dos principais camafeus presentes em território luso ou descendentes dos mais camafeus emigrantes por terras de França, África do Sul ou Canadá.
O concurso Miss Portugal foi assim caindo em descrédito por culpa de um júri a denotar incontestáveis problemas de alcoolismo, avaliando pelos resultados que nos eram apresentados no final de cada cerimónia. Estou mesmo convicto de que Nicolau Breyner, se concorresse ao concurso de Miss Portugal vestido de mulher, era capaz de receber no mínimo o título de Miss Fotogenia.

As misses portuguesas, devo dizê-lo, não me excitam. Há meninas portuguesas que se confundem com sacos de boxe (e até com algum buço tombando frondosamente como hera sobre o lábio superior) que são capazes de me excitar mais do que qualquer das misses vencedoras dos últimos anos, que, a bem dizer, desconheço no sentido bíblico do termo. Uma mulher que seja escolhida Miss Portugal depressa se transformará numa personagem de figura assustadora. Carla Caldeira é hoje o terror de todas as crianças.
Em Itália não. Em Itália, as candidatas eram todas bonitas e quando se tornam mulheres ficam Sophias Lorens. E são, pude constatá-lo, inteligentes, todas elas falam italiano. Mais uma vez, ganhou aquela que em matéria de choro melhor impressionou o júri, a número 70. As outras saíram-se todas a rir... Isto é que não se percebe!


sexta-feira, setembro 12, 2003
 
Informamos o pecador visitante q'Os Crimes do Padre Amaro vão andar ausentes nos próximos dias. Vou ser submetido a uma cirurgia plástica para ver se as miúdas finalmente passam a olhar para a minha pessoa, e se os malcheirosos dos cães rafeiros da vizinha deixam de correr atrás de mim como se eu fosse um objecto de desejo sexual. Por esse motivo, não haverá novos apostos durante esse período que prevejo rápido. Ou talvez haja, dependerá da minha predisposição para escrever uma brutalidade qualquer. Prevê-se então que lá para terça-feira estejamos de regresso, com mais apostos e um traseiro novo.


quinta-feira, setembro 11, 2003
 
9/11
O 11 de Setembro é vermelho cor de sangue. Cumprem-se hoje 30 anos sobre o golpe militar que derrubou Salvador Allende no Chile, conduzindo então ao sanguinário e trágico período da ditadura militar de Pinochet. Convém recordar que Allende foi o único marxista que chegou ao poder democraticamente eleito, no ano de 1970. O desconforto pela política social, contrária aos anseios de uma burguesia instalada, bem como alguma pressão exercida pelos americanos contra qualquer política a favor do 'socialismo', desencadeou a intentona militar que derruba Allende em 1973. O apoio dos americanos a este golpe acabou por ficar bastante claro. O regime democrático instituído deu lugar a 17 anos de ditadura militar, inapelável, causando, até ao ano de 1990, um número de mortos e estranhamente 'desaparecidos' na casa dos 3000 (alguns provavelmente emparedados em edifícios públicos ou servindo de adubo a belos canteiros nos arredores de Santiago). Pinochet, depois de abandonar o poder, sobreviveu na opulência, e foi escapando a um julgamento pelas atrocidades cometidas ao longo das quase duas décadas de autoritarismo. Quanto a Salvador Allende, morreu no dia do golpe de 11 de Setembro de 1973, resistindo a render aos militares o poder no Chile. Choremos estas vítimas, como choramos as vítimas de outras beligerâncias. Porque convém não termos memória curta ou ideologicamente orientada.


 
11 boas razões para mandar o Scolari embora
1. Scolari sabe o que está a fazer. Está a ganhar 30 mil contos por mês.

2. Scolari não convoca Vítor Baía. Numa altura em que a selecção perde tantos jogos, era uma oportunidade imperdível para queimar de uma vez por todas este que é o melhor guarda-redes do mundo e talvez até de toda a Europa.

3. Scolari é um poeta, percursor da lírica scolariana. Um Jorge de Sena dos relvados. Ele quer dizer alguma coisa, mas raros são os iluminados de espírito que percebem o quê.

4. Scolari é um entrave à contratação de outro lírico da bola, Artur Jorge, para o lugar de seleccionador nacional. Um homem que comete a proeza de conseguir manter na Superliga uma equipa como a Académica, e que já esta época a deixou num brilhante sétimo lugar. Fantástico. E tudo isto a treinar com os olhinhos tapados. Brilhante!

5. Scolari vai passar férias ao Brasil. Gente que vai passar férias ao Brasil regressa de lá com fortes problemas de visão. É o que me parece que está a afectar Felipão.

6. Scolari tem tantas capacidades como técnico, que devia estar ocupado a treinar um clube ao seu nível: um Benfica, por exemplo

7. Scolari acabou com o belo do chavascal nos estágios da selecção. É sabido que os pujantes jogadores portugueses só conseguem ter rendimento no campo se forem correctamente estimulados antes de cada jogo.

8. Scolari acabou com as meninas na selecção. Nuno Gomes, por exemplo, nunca mais foi convocado.

9. Porque Scolari é feio.

10. Porque sim.

11. Porque me parece seguro, neste momento Bölöni não está desempregado.


 
O senhor Serrano do Big Brother
O senhor Serrano, conhecido para o grande público como Pedro Miguel Ramos, foi à cama acordar uma das ex-residentes da casa mais famosa do país. Bom, corrijo, ex-residente da terceira casa mais famosa do país. Afinal de contas, nas duas primeiras posições deste ranking estão agora, em lugares de destaque, as inultrapassáveis Casa Pia e Ala B do Estabelecimento Prisional de Lisboa. Imagino o trabalho que aquela cena com a ex-residente terá dado a gravar. Mas… é que existe ali um problema básico de rácor: a jovem repousava na sua cama, os olhos cerrados, o lençol puxado até ao pescoço, tudo bem… mas, a face maquilhada, o cabelo penteado, uns bem discretos brincos de argolas com um bem alargado diâmetro. Terá sido uma mera falha de produção, ou será que dormir de câmaras apontadas à cara ao longo de apenas algumas noites acicata a vaidade humana a este ponto?


 
Elogio do Mac(intosh) 2
Como escreve o Francisco José Viegas, possuidor de um belíssimo notebook Apple de última geração, “ter um Mac é uma opção de vida propriamente dita, uma vaidade essencial.” E acrescenta este George Simenon cá do burgo que “somos capazes de escrever em qualquer papel, mas gostamos de um realmente bom.” Não embarco nessa ideia portuguesinha de que ter um Macintosh é uma opção de vida, nem de que é algo que me torna diferente e alvo de uma distinção especial. Ter um Macintosh é precisamente a mesma coisa que ter um PC, com a diferença de que o utilizador Mac não precisa de se preocupar com centenas de ficheiros aparentemente inúteis, com ecrãs azuis a interromper tarefas importantes, com "erros fatais" a meio do último parágrafo da tese antes de efectuarmos a cópia de segurança que andámos a prometer desde há 5 anos quando iniciámos a pesquisa, com “depurações”, “erros no controlador”, etc.. Nada disso. Ser utilizador Mac é quase a mesma coisa do que ser utilizador de PC, com a acrescida diferença de que os vírus raivosos lançados contra o senhor Gates não encontram no bichinho Mac um alvo apetecível. É claro que ser um utilizador Mac é também ter mais dificuldade em ‘piratear’ software, ser um utilizador Mac é não ter na vizinhança um amigalhaço que nos elucide acerca daquela dúvida mais complicada para lidar com a bloga, e é também um custo maior de manutenção, aquisição de periféricos, é não ter drive de disquetes no portátil. Enfim, é um pouco como ter um Jaguar, é bonito, bom, atrai as miúdas giras todas, no comboio, na biblioteca, na esplanada, mas fica-nos puta de caro para o resto da vida.
Depois de todo este discurso todo, quero perguntar aos atentos e solidários utilizadores Mac da blogosfera, como por exemplo o já referido Aviz, ou o digníssimo proprietário do Blog far niente, se estarão eventualmente informados sobre a existência de um Dicionário de Sinónimos Electrónico de Português para Macintosh (que não seja o Flip), gratuito ou perto disso. Algum Macblogueiro que me saiba responder a esta dúvida, ou que queira partilhar o seu ‘sinonimizador’ comigo, ficar-lhe-ei bastante agradecido.


 
Elogio do Mac(intosh)
Devo advertir, relativamente à alteração registada no template da bloga, que esta se deve não apenas a imperativos de ordem estética, mas também a motivações práticas e existenciais da parte deste Macintosh, ao qual reconheço vida própria e dedico um respeito para lá da simples dualidade homem versus máquina. Um problema no código Java e html implicava que a página da minha bloga não fosse correctamente apresentada na minha versão Mac.
Quando iniciei a publicação d’Os Crimes do Padre Amaro fi-lo a partir de um computador PC, já que o portátil Apple apresentava então um problema na placa gráfica, entretanto auto e inexplicavelmente solucionado. O template da bloga foi nessa altura ajustado à medida daquilo que surgia no ecrã do PC (sou um utilizador híbrido, tanto me faço deslocar num iBook da Apple, como num PC, marca JP com monitor LG). Quando pela primeira vez acedi à minha própria bloga a partir do Apple, verifiquei que esta não era apresentada como a tinha projectado e que a formatação tornava impossível uma leitura fluente. A alteração do template deve-se sobretudo a essas dificuldades em lidar com as vicissitudes do código html relativamente ao meu Mac. No entanto, não me parece que o actual template fique a dever ao anterior. É apenas uma forma, como existiam outras. Esta pareceu-me simples, e julgo que eficaz.


 
Peço desculpa aos meus leitores pela torrente de apostos que debitei nestas últimas 24 horas. Bem sei que não tendes capacidade para acompanhar este intenso ritmo, e que ficais ofegantes logo que se vos fala em ter de absorver duas ideias de seguida. Não fiqueis preocupados, fazei uma pausa, tomai um kit kat, e respirai fundo como se fosseis obrar. Resulta.


quarta-feira, setembro 10, 2003
 
Fragmento 2: um amaro’icano em Lisboa
O Aeroporto de Lisbon situa-se praticamente no centro da cidade. É pequerrucho, pobrezinho, modesto, mas procura sublimar toda essa modéstia buscando um ar civilizacional avançado. Apanho um dos muitos táxis que fazem fila no exterior do terminal de chegadas. Sou olhado como uma apetecível peça de caça, uma presa a quem procuram lançar a rede.
“Parque das Nações”, regurgito no parco português que esmeradamente aprendi através de um manual de conversação rápida adquirido cinco minutos antes numa das lojas do aeroporto.
O lusitanus latinus, que conduz o táxi com um à-vontade invejável, desce o vidro do Mercedes Benz, lança com precisão avassaladora uma gosma na direcção do traço contínuo, marcando como seu aquele território proibido, e urra para a senhora do carro bordeaux que tem o desplante de lhe passar à frente enquanto ele se encontrava distraído. Uma indecência, este comportamento de gente que devia ser proibida de andar na estrada. Segundo o taxista esta senhora nunca teria chegado a nascer se no tempo dela já se tivesse legalizado o aborto ou acabado de vez com a prostituição, uma das duas chegava. Durante os cinquenta minutos que dura a viagem, o homem conta a trágica história da sua vida mas infelizmente não entendo nada do que me disse. A viagem até ao Parque das Nações revela-se assaz agradável. Registo com excitação o trajecto que é percorrido, através de uma enorme ponte durante minutos até à margem oposta, uns quilómetros de auto-estrada até uma nova ponte, esta suspensa, feita em aço, pintada de um vermelho bastante comunista, extensão mais pequena relativa à anterior. Penetramos então numa luxuriante mata, com rotundas a cada esquina e senhoras prestimosas a cada esquina das rotundas, passamos numa zona de prédios vidrados, uma estátua com um leão, estádios de soccer, outra mata luxuriante, mais uma ponte vermelha e suspensa, parece-me que a mesma, e depois a outra enorme que já havíamos atravessado no sentido oposto aquando da vinda do aeroporto, e chegamos ao Parque das Nações. Que rapidez. Que eficiência, o serviço de táxis neste país.
“Dez mil escudos, caramelo!”, diz o taxista.
“What!?”, respondo.
“Ten thousand es-cu-dos, caramel!… Shields!

alternativa a)
E agora, onde estão os dez mil escudos para pagar o táxi desde o aeroporto de Lisbon até ao Parque das Nações?
“O quê? Você deve estar a gozar com a minha cara, seu cámone de meia tigela! Ó chefe, eu estou a trabalhar, está bem!? Anda aqui um tipo a fazer praça durante todo o dia e até de noite, e aparecem-me estes bifes tesos para dar cabo do negócio, ó faralho! Você por acaso tem ideia de quanto é que eu gasto de gasosa desde o aeroporto até aqui!? Pois, não tem… Devem estar a pensar que isto é a terra deles, ó calandro! O que eu agora quero saber é quem é que me vai pagar a corrida!”
O discurso atabalhoado do taxista não me afecta; simplesmente não entendo nada do que acabei de ouvir. O tipo simplesmente deve estar a protestar pela falta de pagamento, e terá de continuar a protestar, porque simplesmente não irei passar um cêntimo que seja para as suas mãos sebentas. Não tenho. Faço aquilo que na minha terra se faz nestas ocasiões: o revólver é solicitado para entrar em acção, um disparo contra o taxímetro indefeso provoca o ruído suficiente para que o teimoso do taxímetro permaneça mudo para o resto do mês. Saio do táxi enquanto o chófer arranca apressado.

alternativa b)
Passo-lhe para a mão os escudos que tinha guardados e digo-lhe que fique com o troco.
“Quê? Só isto, cámone!?… What, only this!?… Ó chefe, esta nota de 100 já saiu de circulação. Ó boss, this note of 100 is out of circulation!…
A conversa deste homem começa a dar-me alguma dor de cabeça e uma náusea terceiro mundiça. Saco do meu revólver e disparo contra o alvo mais apetecível: o taxímetro.
“Bye bye, my friend” , e saio pela porta do Mercedes enquanto o taxista arranca assustado.


 
O pecado da gula
Para quem se tem acostumado nos últimos anos a andar por aí a comer miudinhos às escondidas, e que deseje experimentar coisas novas e saudáveis, abre hoje no Jardim Municipal de Oeiras a Vegetariana 2003. Vejam lá isso, rapaziada gulosa.


 
Game Over (ou sobre aqueles que sabem mais do que outros desejariam que se soubesse)
A escuridão está presente diante dos meus olhos. Os segundos avançam e a escuridão fica presente no meu olfacto. Estou a poucos segundos de morrer. “Estás a poucos segundos de morrer.” Os meus pensamentos transformam-se em vozes reais. “Estás a poucos segundos de morrer. Como foste capaz de trair o nosso gate-keeper?” Quando me viro para ver de onde surgem as vozes, sou baleado por três homens à queima roupa, sem direito a apelo. A minha missão acaba aqui.


 
Fragmento 1
Dirijo-me à primeira porta da segunda carruagem e entro. Estão vagos inúmeros lugares sentados e decido-me por um deles. Sabe-me bem ter estas nádegas assentes numa superfície confortável como é a dos bancos das carruagens do Metropolitano desta cidade. Renovo algumas energias e o meu estado físico agradece. É então que parto para a dimensão do irreal.
Vindo do nada e do nunca, precipita-se para o meu lugar um senhor, um senhor que não oculta a idade avançada que já denota, mas que nem por isso me desmerece o epíteto de “artolas” (isto para lhe poupar ao tratamento de “biltre”, “velhaco”, ou pior ainda). Só tem um nome, esse senhor. É um exemplo do indivíduo – diria, moribundo, eventualmente morto-vivo – que se serve do transporte público como se os restantes utentes estivessem obrigados a prestar-lhe vassalagem, apenas porque o indivíduo em questão colecciona já mais umas décadas de vida do que a média dos seus concidadãos. É o chamado Velho Melga:
“Ouça lá, eu quero sentar-me aí, já!!!”
Mal me dá tempo para levantar e brinda-me com um valente biqueiro nas canelas ao qual não fico indiferente. Não gostei dos modos como este velho melga se dirigiu a mim. E muito menos da canelada que acabei de levar e que me deixará com uma nódoa negra para os próximos 7 dias.
O que fazer? Levanto-me para dar lugar ao indivíduo desbocado, submetendo-me publicamente à humilhação do insulto gratuito de um velho jarreta; ou parto para a luta em defesa da minha honra, demonstrando a este homem que nunca é tarde para se receber uma lição de boa educação, nem que seja pela força de uns tabefes bem espetados naquelas ventas encarquilhadas?
O velho é velho, mas bastante ágil. Deduzo que tenha praticado artes marciais durante o tempo em que ainda era uma peça viva e pulsante. Num dos braços consigo vislumbrar uma tatuagem que revela qualquer coisa: “Saigon, 1970, Lâve of Máder, Rangeres”. Grande herói. Fiquei desde logo pelado de medo. O homem entra em estado de histeria e nenhum dos presentes conseguirá deter o velho carquilha. Na minha imaginação, este sujeito tem as mãos sujas de sangue. Terá eliminado “à unha” dezenas de vietnamitas, a sua especialidade é… matar. Fico com medo. Fico morto de medo…


 
As afinidades entre a aristocracia blogática e o atendimento ao público
Caminho em direcção ao que é para mim o lugar mais interessante e onde melhor me safo: o lugar do barman. A tatuagem do dragão na cabeça rapada é a sua imagem de marca. A barriga avantajada denuncia, se não muitos anos a servir copos, outra quantidade deles a estender a passadeira vermelha aos adversários na defesa do Futebol Clube do Porto. Rogo a este Jorge Costa para que me sirva uma cerveja dupla com gelo.
“Oh, fónix, mais um estróina!”, exclama, de si para si, como se não estivesse já habituado a estas avis raras.
“Uma cerveja dupla com gelo e caluda, já disse”, respondo eu ao gajo.
Marco assim o meu território e a técnica resulta. Neste meio as coisas funcionam baseadas neste código de acção. É a linguagem de pai de concorrente do Big Brother e mais nada. O tipo serve-me uma cerveja dupla com três cubos de gelo. Bebo um demorado golo da cerveja e vou directo ao assunto que me levou ali:
“Conheces o Pedro Mexia, palhaço?”
“Só dou informações a quem realmente mostre precisar delas.”
Afinei. Entendi a importância deste “mostre”, a linguagem Big Brother continua a despertar o imaginário do barman futeboleiro à procura da fama.
“Só tenho trocos agora, camarada”, respondi-lhe como se o gajo fosse um simples arrumador de copos.
O tipo olha-me com o desprezo de quem está habituado a servir o público.
Compreendo então que Pedro Mexia não é propriamente o homem mais acessível desta cidade e não mexo mais no assunto.


 
Como o caro freguês já terá reparado, isto está em obras, estamos a escavacar a estrutura, a fazer buracos nas paredes, a incomodar a vizinhança a desoras. Aguentem-se, que a gente também não.


domingo, setembro 07, 2003
 
A abichanada festa do lencinho branco (ou a reunião ibérica do Tupperware vimarenense)
E eis que após uma desprestigiante exibição e sobretudo um vergonhoso resultado contra os nossos arqui-inimigos espanhóis, me vejo na obrigação de voltar atrás na palavra e pedir à Federação Portuguesa de Futebol para que mande embora de uma vez por todas o Scolari e nos traga lá de volta o Gene Hackman.
Estas coisas não se perdoam de ânimo leve. Foi a primeira vez em todo o meu percurso de vida que assisti à suprema humilhação que foi perder uma partida contra a Espanha. Sendo para mim uma novíssima experiência, recordo os ensinamentos antigos de que, caso isto algum dia viesse a suceder, devíamos fazer figura de descontentes, chateados, irritados, e desatar a bater nas nossas mulheres e nos nossos filhos menores. Como não tenho mulher nem filhos menores, resolvi vir escrever na bloga.
Mas essa coisa de assobiar os jogadores e acenar com lencinhos brancos no final da partida também não me pareceu um acto nada patriótico. Num país decente, em que os cidadãos defendam a sua pátria como a melhor de todas seja em que circunstância for, treinador e jogadores (sobretudo o jogador Miguel, que personificou, com o brilho da sua exibição ausente, todo o falhanço da equipa portuguesa) seriam transformados em apreciados alvos para tiro com arma de fogo e excisão a frio com arma branca afiada, como se faz lá na Colômbia.
As gentes habitualmente trauliteiras lá do berço da nacionalidade nesta ocasião desiludiram-me profundamente. Lencinhos!...


quinta-feira, setembro 04, 2003
 
Verdegonha!
As reflexões do Joel Neto sobre o naufrágio verde-e-branco nas Antas são concludentes. O Joel conclui que este tal de Fernando Santos (que é um duro, um pós-socrático da redondinha, um homem que tanto passou pelos ares iodados do Estoril-Praia como pelos ares alucinados da Reboleira) percebe tanto de futebol como a Teresa Guilherme entende da andropausa. As reflexões do Joel são, a meu ver, sintomáticas do que é o sentimento sportinguista para esta nova época. E parece-me que ao longo dos próximos meses, quiçá anos (enquanto o engenheiro permanecer aos comandos da nave leonina), o Joel continuará a reflectir, e a repetir, e a reflectir, e a repetir.
Fernando Santos conseguiu a proeza de ser um dos dois únicos treinadores do futebol português que deixou fugir um título tendo na equipa o artilheiro Jardel. O outro foi Lazlo Bölöni. Era inevitável. Com um currículo assim, Fernando Santos arriscava-se mesmo a ser treinador do Sporting nesta época. Senhor Engenheiro, estamos envergonhados!


 
Intuição vs Reflexão vs As Duas Coisas vs Coisíssima Nenhuma
Uma leitora emaranhada diz-nos do seu descontentamento acerca da ideia aqui deixada num dos anteriores apostos de que a blogosfera se faz de ideias pensadas. Defendo que a blogosfera em geral, a nossa memória em particular, nada ganham em que isto caminhe para um cemitério de irreflexões e intuições. O meu futuro constrói-se também destes pequenos pedaços que preparam um passado e servem para alicerçar e alimentar um futuro. E nessa medida não adianta intuir sem reflectir (aplica-se aqui a propriedade comutativa, ou seja, a ordem das parcelas pode ser arbitrária). Não discordo da nossa cliente emaranhada, e também não concordo. Julgo que não podemos embarcar em posições fundamentalistas, o que não foi o caso. As ideias devem surgir de dentro de nós, como uma caganita de pássaro incómoda. O outro dizia que andar à chuva incomoda, neste caso é caminhar sob a alçada de uma caganita de pássaro. É claro para mim que a escrita é sempre um exercício condicionado por alguma racionalidade, desde logo porque a maioria de nós pensa mais depressa do que escreve. É por isso um exercício improvável esse de intuir sem pensar. É também claro para mim que uma ideia pode tomar proporções imperscrutáveis se não lhe puser um travão. Sobretudo uma má ideia, mas também uma ideia que nos peça para ser trabalhada. O travão não lhe pode ser imposto quando ela já for em andamento, mas deve ter na precisão de uma estrutura organizada o seu maior trunfo, a sua maior força motriz. Ena, agora consegui escrever uma frase bonita, e talvez com algum sentido.


 
O que é ser famoso no processo da Casa Pia?
O canal de Manuela Moura Guedes anuncia num rigoroso exclusivo TVI que estão na calha mais 8 arguidos fresquinhos para dar entrada no processo da Casa Pia, e que se tratam de figuras públicas, famosos, peixe graúdo. O canal de Rodrigo Guedes de Carvalho, por seu turno, anuncia num rigoroso exclusivo SIC que estão na calha mais 8 arguidos fresquinhos para dar entrada no processo da Casa Pia, mas que não existem nesse grupo quaisquer figuras mediáticas, gente famosa, mas apenas o chamado mexilhão. Em que ficamos, afinal? A TVI afirma, a SIC desmente. A TVI procura fidelizar o cliente até que decida a melhor altura para atirar cá para fora os nomes (aquilo por que todos os portugueses anseiam), a SIC procura destruir o feitiço e diz que não há nomes que interessem.
Ou estamos perante um caso de dissonância semântica relativo ao conceito de ‘famoso’ ou então a notícia TVI e a notícia SIC nada têm a ver entre si. Seremos surpreendidos dentro de dias pelo surgimento de 16 novos arguidos, de entre os quais 8 serão pessoas famosas e os restantes anónimos? Ou surgirão 8 novos arguidos que, para a TVI são famosos de primeira água, e para a SIC não passam de gente anónima. Dentro deste conceito pouco claro de ‘fama’ sou capaz de englobar apenas as ‘vedetas’ da casa do Big Brother, e muito sinceramente não estou a imaginar uma Sónia, uma Riquita ou um Zé Maria Seleiro metidos nestes assados. Não, não chegaremos a tanto.


 
30 centenas
É preciso primeiro que tudo saber reforçar os alicerces às ideias sobre aquilo que desejamos escrever. Intuir não basta. É preciso formular ideias e esquematizá-las, provando-as eficazes. Talvez a dificuldade maior esteja aí, talvez seja esse o maior transtorno, fazer a ideia subir do coração até ao cérebro e daí obrigá-la a tomar o caminho das palavras concretas, dos monemas prontos a absorver tudo o que das ideias encontre para absorver, até ao ponto material, audível, legível. Perdoem-me as 3000 visitas que aqui entraram na esperança de encontrar algo diferente. Perdoem-me a incapacidade de surpreender, perdoem-me as ideias lívidas ou a falta delas. Perdoem estes 3000 crimes do Padre Amaro. A promessa, como sempre, é para ir fazendo cada vez pior… até que vos deixemos em paz.


 
A minha pequena derrota
Pois, o pecúlio de um homem não se faz apenas das vitórias, mas sobretudo das derrotas. É deste espírito que devem partir as maiores obsessões humanas, para que façam sentido, para que encontrem na razão das coisas motivos para subsistir, um porquê para não serem perdidas. O jogador estava deslocado de todos estes conceitos, era contra os conceitos, preferia afogar-se num rio truculento a ter de pedir esmola, e quantas vezes esteve à beira das águas do rio... O leito acoita-se por entre as margens, espera por pessoas que das margens o observam, percorrendo sinuoso pelo serpentear do vale imenso e distante, o caudal a pedir, Salta, e as pessoas, na sua indecisão a que se chama medo, a ficarem imóveis, sem saltar, sem forças para se atirarem ao rio, contribuindo para alimentar a metáfora de que nas margens o homem se senta e chora e ajuda o leito a envaidecer-se numa correria furiosa até à foz. O pecúlio do homem não se faz apenas das vitórias, mas sobretudo destas pequenas derrotas, nas margens do rio.


quarta-feira, setembro 03, 2003
 
Estética masculina: antes e depois
Procurei algumas fotografias minhas de há 2 meses quando me iniciei nesta aventura da blogosfera, e estabeleci uma comparação jornalística e objectiva com a imagem que vi hoje de manhã ao espelho logo depois de acordar. Sinto que estou com umas olheiras maiores, um aspecto um pouco rameloso de quem precisa de água fresca nas ventas, o cabelo mais desgrenhado e ameaçador. Estou mais magro. Reconhecível, no entanto. Bolas, este pormenor do 'reconhecível' é que não! Pronto, é só isto. Achei que devia deixar esta importante nota para toda a comunidade bloguística interessada. Nestas não põe a mão o Correio da Manhã. Obrigado.


terça-feira, setembro 02, 2003
 
A maldição do Técnico
O Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST) é daqueles recantos estranhos que todos os anos acolhem centenas de jovens mancebos à procura de um futuro na área da ciência e tecnologia. Podemos dizer que o IST é o MIT português. E que o António Guterres se tivesse nascido nos Estados Unidos da América seria hoje um Bill Gates e teria inventado um Windows pejadinho de caixas de diálogo. O nosso mal foi o Guterres não ter nascido nos Estados Unidos, caramba!

Mas não é só por ter sido frequentado por um ex-Primeiro-ministro que o Técnico é um local amaldiçoado. O Técnico é um local estranho a todos os níveis. As pessoas que lá entram são engolidas pela voragem do espírito técnico e transformadas em seres diferentes. Quem viu 'A Mosca' de Cronenberg sabe bem do que se está a falar. O Gregor Samsa da 'Metamorfose' de Kafka era também um ex-aluno do Técnico. Mas o Técnico é uma instituição que deve ser defendida. É preciso sobretudo manter vivas as actividades culturais desenvolvidas durante a noite na sua periferia. O que seria da zona da Alameda se não fossem essas senhora tão prestáveis a dar vida àquelas ruas e parques de estacionamento desde que não com um candeeiro sobre a viatura, filho! Provavelmente mais uma zona condenada à desertificação, ao vazio. Abençoadas sejam, minhas senhoras!

As pessoas quando entram no Técnico ficam moscas. As conversas são indecifráveis, andam à volta de bites, bytes, rotinas, funções, variáveis públicas e privadas, procedimentos, arrays, code blocks, inputs, outputs, o diabo a quatro. Estas pessoas entram como caloiros na instituição, são alvos de violentas praxes e raramente voltam a ser vistas em público (durante pelo menos sete anos).

No Sábado cruzei-me com um amigo de longa data que já não via há praticamente dez anos. Na altura o jovem tencionava abraçar a carreira de engenharia mecânica no IST, os óculos de fundo da garrafa e horas em profundo estudo procurando vencer a inefável textura da matemática e a média de entrada no instituto davam até algum crédito às suas pretensões. Como seria normal, procurámos saber o que cada um tinha feito da sua vida desde então. Disse-lhe que tinha optado pelo celibato, benesses fiscais, emprego e salário ao final do mês garantidos, e abraçado a carreira eclesiástica, optando assim pela minha vocação comercial. Quanto a ele, dirigia-se para a noite do Bairro Alto onde tinha à sua espera uma garrafa de uísque e um diálogo aceso com o barman sobre as novas potencialidades do Java e da linguagem XML. O curso era ainda o mesmo, a licenciatura por concluir, encravada entre o terceiro e o quarto ano, mas até isso acabava por ser irrelevante quando no ano lectivo seguinte se perspectiva no Técnico a abertura de um inovador curso de redes e comunicações com imensas saídas profissionais. Trocámos números de telemóvel. Se alguém quiser trocar ideias, impressões sobre a programação em Flash, pode entrar em contacto comigo.

O que me deixa intrigado é que, sabendo da esperteza do povo português, sempre tão sábio nos seus comentários de camarote, espírito observador aguçado (sobretudo aquando de acidentes de viação alheios) como é que fomos capazes de escolher para Primeiro-ministro precisamente alguém que fez parte da sua formação no Instituto Superior Técnico! Por exemplo, o actual PM, esse teve sorte. Se tivesse nascido nos Estados Unidos seria um vulgar Bill Gates e ninguém daria nada por ele. Como nasceu em Portugal, pôde tirar o curso de Leis (ena), é hoje um Durão Barroso e já apareceu na CNN. Cada um é para o que nasce...