Os Crimes do Padre Amaro

fragmentos da vida de um monge ateu

mail do padre
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quinta-feira, abril 29, 2004
 
Rescaldo do Portugal-Suécia
Ricardo: uma ombrada na titularidade para o europeu de futebol.
Quim: saiu em ombros. Foi dos que não apanharam o autocarro da selecção nacional, e foi ovacionado pelo público presente junto à Porta VIP do Estádio Cidade de Coimbra.
Hugo Viana: quase ia passando despercebido, de cabeça enterrada no seu boné azul, ar grave e sério, agarrado à mão da sua companheira.
Cristiano Ronaldo: veste bem e cultiva o género do jogador da bola estiloso e suficientemente básico para fazer o seu empresário singrar no mundo da bola.
Petit: como é que é possível um jogador da bola ser tão feio?
Scolari: a vaia da noite. Foi dos poucos elementos da Selecção Nacional que se serviram do autocarro oficial do Clube de Portugal. Depois de 90 minutos de intenso esforço, o Felipão não se coibiu de esticar as pernas e pô-las sobre o assento da frente do autocarro que, segundo alguns populares, «ainda não está pago». Chama-se a isto «esticar o pernil», que, praticamente, foi o que aconteceu à credibilidade do treinador depois da exibição desta noite. Scolari foi bastante apupado pelas pessoas que esperavam os craques, e a mãe do brasileiro, de quem se alvitrava exercer uma actividade por conta própria isenta do pagamento de impostos, esteve nas bocas do mundo.
Selecção Sueca: foi aplaudida pelos presentes, demonstrou uma grande simpatia. Ficou apenas uma pergunta no ar: onde é que estavam as suecas?


segunda-feira, abril 26, 2004
 
Como jogar no Real Madrid...
A dica vem de José Peseiro, (ainda) técnico-adjunto dos merengues, que diz que nunca foi tão fácil jogar no Real Madrid.
"O Real Madrid tem jogadores muito maus a jogar em algumas posições", diz o ex-treinador do europeizável Nacional (internacional) da Madeira. Ficamos curiosos por saber a que posições do terreno se referia o adjunto de Queiroz.
Nunca foi tão fácil jogar no Real Madrid. Bem me parecia.


 
10 mil visitas
Quando hoje pelas 21h15 abri a página desta modesta bloga, reparei que o contador de visitas se encontrava no limiar dos cinco dígitos.
9.998 pessoas visitaram este diário (desde que instauramos o contador de visitas, poucos dias depois da inauguração da bloga). Se é verdade que números nunca foram muito importantes, é também verdade que atingir soma tão redonda é digno de nota. Ficam a satisfação, o contentamento, o regozijo.
Aí vamos nós, a caminho da beatificação...


quarta-feira, abril 21, 2004
 
Colosso do Atlântico faz estragos no mundo virtual
E agora um blog que impõe todo o respeito. Esse monstro da promiscuidade conimbricense, oriundo da pérola do Atlântico, tem um novo blog. Chama-se Espiral do Silêncio. A evitar...


sábado, fevereiro 28, 2004
 
Um bom motivo para escrever é simplesmente a noção de que a véspera de um 29 de Fevereiro é por demais preciosa para que a data, por se tratar de um acontecimento invulgar, não fique perpetuada nesta bloga.
É também uma forma de cumprir o ritual de escrever pelo menos um post em cada mês. Não tem sido cumprido, temos falhado perante quem suportou a vigência deste mural.
Para quem haja pensado que o Padre Amaro se remetera a um voto de silêncio, isso é aqui desmentido. Não se tem tratado de um voto de silêncio, mas de uma inefável falta de conjugação entre indispensáveis factores técnicos, humanos e interestelares. Pelo facto, aos nossos nove milhares de leitores pedimos as suas desculpas. Prometemos manter para diante a assiduidade a que temos habituado os nossos incansáveis e cada vez mais escassos visitantes. De vez em quando cá nos encontraremos para mandar as nossas bocas sobre o que tenha ou não colorido as nossas vidas nesta cada vez mais sensaborona aldeia global, que começa aqui, de onde vos escrevo, entre as quatro paredes de um anexo escuro e sombrio ao fundo do corredor da cave deste mosteiro.
A caminho de podermos finalmente proporcionar a felicidade a todos, cuidaremos de reunir as condições para manter activo este registo de memórias, durante muitos e bons anos. Assim o permitam os deuses da internet.
Ámen.


segunda-feira, janeiro 05, 2004
 
Uma orelhuda derrota
Curioso o gesto de alguns jogadores do Sporting, no encontro de ontem contra o Benfica, humm, ao pegarem, por diversas ocasiões, humm, em ambas as orelhas, humm, como que padecendo de algum mal naquela zona de cartilagem. Não chega a minha perspicácia para entender a profundidade de tão enigmática gesticulação, humm, mas qualquer relação que se procure criar com a dimensão exagerada e profusão auricular do senhor Presidente do Benfica, Dr. Luís Filipe Vieira, humm, é uma dedução de muito mau gosto para uma época natalícia. Ou não seria esta uma piada ao José Rodrigues dos Santos e à qualidade da informação que nos é dada pelo canal público? Humm!?


quinta-feira, dezembro 25, 2003
 
No meu tempo
Regressa a febre de «blogar». O bichinho adormecido desperta. Levanta-se de novo a voz que existe dentro de mim. Com dois dias de atraso relativamente ao anunciado pelo meu amigo do Vidro Azul [para quem desconhece, «Vidro Azul» é o programa de rádio que conheço que passa melhor música. Sintam-se privilegiados aqueles que vivem na região de Coimbra e têm a hipótese de sintonizar os 107.9 da RUC. Os que não têm, procurem ouvir a emissão online, mas garanto-vos, não é a mesma coisa], regresso ao convívio dos grandes bloguistas, disposto a recuperar a clientela perdida e a não deixar impunes quaisquer atentados à minha sanidade mental... Tudo está diferente. A Amélia já encontrou marido, o Pacheco Pereira já não dá erros ortográficos, e o Ricardo de Araújo Pereira já raramente escreve no Gato Fedorento. O Meu Pipi já só berlaita a cada duas semanas. Tudo está diferente...


quarta-feira, dezembro 24, 2003
 
«Os Crimes do Padre Amaro» autorizados a regressar
Foi após os pedidos insistentes de famílias dos mais variados quadrantes político-ideológicos que o conselho de administração deste blogue decidiu autorizar o regresso do Padre Amaro. Este servil eclesiástico viu-se desde há uns meses apartado por pretextos de índole política num ermo lá para os lados do Vaticano, onde estas coisas da internet, é sabido, não são nada bem aceites, e onde um simples laptop é visto como coisa dos domínios do Chifrudo. Esperem então boas novas, rapaziada. Muito em breve, ainda antes do final do ano. Palavra de Padre Amaro.


sexta-feira, outubro 31, 2003
 
Darwinistas
Só mais uma frase esperta para animar os espíritos para o fim de semana chuvoso que se perspectiva:
«A seguir à Bíblia é o Darwin.»
Disse-o um dos muitos doutorados do nosso país. Vou ver se acredito.


 
Francisco Louçã - O difamador
Nessa mesma sessão pública, Fransico Louçã disse algo que terá deixado a audiência perplexa, apesar do silêncio sepulcral que se manteve na sala. Disse Francisco Louçã que «antigamente a pedofilia nem crime se considerava» e que era mais ou menos do domínio público que «Calouste Gulbenkian, no seu tempo, vivia no Hotel Tivoli com raparigas menores de 18 anos, que quando atingiam essa idade eram substituídas por outras com menos de 18 anos».
Francisco Loução dixit, Padre Amaro ouvixit, com estes ouvidos que a terrinha há-de comer...


 
Francisco Louçã - O conferencista
Não me fazendo rogado por ter de enfrentar um dilúvio cortado a vento e a chuva da grossa (não fossem os dilúvios mais ou menos isto), fui assistir ontem à noite a uma sessão pública organizada pelo Bloco de Esquerda no Teatro Paulo Quintela da Faculdade de Letras de Coimbra. Contava-se com a participação sempre prestimosa de Francisco Louçã (procurando esconder o telemóvel ao entrar na sala, sinal de comprometimento com a apregoada Esquerda caviar), António Marinho (o tanque de arremesso contra o sistema judicial português) e o moderador, do qual agora me escapa o nome. Diria eu que, para o ramalhete ficar completo, apenas ficou a faltar o mítico fazedor de histÓria Fumando Brocas, sempre tentando reescrever a história por todas as linhas, mais tortas elas sejam.
O tema da sessão pública era a prisão preventiva. Pessoas presentes não eram muitas. Eu, na pele de Padre Amaro, e pouco mais. A intervenção de António Marinho debruçou-se sobre a prisão preventiva e sobre as condições de vida nas prisões. As intervenções de Francisco Louçã derivaram mais para o campo político, abarcando outros campos de batalha em que este bloco vai dispondo as suas peças.
Fiquei ligeiramente decepcionado. Se António Marinho seria imbatível por qualquer boneco da Contra-informação, já Francisco Trostkã tem, fora de dúvidas, bastante mais piada do que o Louçã que lhe deu origem.
Frase a reter:
«A direita portuguesa é a mais estúpida de toda a Europa.»


terça-feira, outubro 28, 2003
 
De volta aos convocados
A atenção à emissão especial de amanhã, dia 29, da Rádio Universidade de Coimbra para a inauguração do Estádio Cidade de Coimbra. As anti-aéreas começam a disparar a partir das 13 horas, bombardearemos na direcção da panóplia de convidados que constituirá o painel de comentadores para esta inauguração, e findos os 90 minutos, só nos permitiremos cessar as hostilidades quando o cuco cucar a meia-noite. Até lá, o jogo será o Académica-Benfica. Quem não conseguir sintonizar a RUC em 107.9 Mhz, poderá fazê-lo então através da emissão online em www.ruc.pt. Se conseguir... Em Timor, Xanana Gusmão não perde um jogo da Académica...


terça-feira, outubro 21, 2003
 
Para quem anda com falta de ouvido
(Quando eu vou cantar
Você não deixa
E sempre vem com a mesma queixa
Diz que eu desafino
Que eu não sei cantar
Você é tão bonita
Mas tua beleza
Também pode se enganar)

Se você disser que eu desafino, amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de anti-musical
Eu mesmo mentido devo argumentar
Que isto é bossa-nova
Isto é muito natural
O que você não sabe
E nem sequer pressente
É que os desafinados
Também têm coração
Fotografei você na minha Rolleiflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão
Só não poderá falar assim do meu amor
Que ele é o maior
Que você pode encontrar
Você com a sua música
Esqueceu o principal
É que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
É que no peito dos desafinados
Também bate um coração.


A. C. Jobim & Newton Mendonça


segunda-feira, outubro 20, 2003
 
Sobre o Dia do Mancebo II
E o que dizer da história de chamarem a esta iniciativa um «convite», quando os jovens foram afinal coagidos a comparecer numa base militar, sob pena de sobre eles recair uma coima que pode ir de 250 a 1250 Euros? Será isto constitucional, pergunta o Padre...


 
Sobre o Dia do Mancebo
O comentário que me apetece fazer sobre esta iniciativa é que a considero uma autêntica palhaçada. Um número de circo. A mente iluminada que teve a brilhante ideia de convocar três mil jovens de 18 anos, do sexo masculino, para passar um dia na Base Naval do Alfeite merecia, ela própria, passar uns diazinhos num quartel sem grandes condições no interior de Portugal para conseguir entender que raio de carreia aliciante é essa que tentam fazer ver aos jovens mancebos. Pergunto-me se nesse dia de sessão de esclarecimento também demonstraram aos mancebos como se faz uma cama bem feita, como se utiliza uma vassoura, ou como se lava uma bela latrina cagada. Ou como se serve submissamente os superiores hierárquicos, ansiosos por carne fresca que lhes eleve o ânimo, ego, e alguma obra lá por casa que tenha de ser aprumada. Provavelmente não houve tempo...


domingo, outubro 19, 2003
 
Poção do Amor
O caso absurdo desta semana: para aqueles mais desapaixonados aqui fica a «Poção do Amor»:
5 dl de chá preto;
2 colheres de sopa de açúcar;
algumas rodelas de pêssegos frescos;
rum.

Faz-se o chá, que deverá repousar durante cinco minutos para depois misturar com açúcar a gosto. Depois de deixar arrefecer, vamos colocar as rodelas de pêssego no fundo de copos altos e regá-las com um pouco de rum. É então que se enche os copos com o chá já frio. A poção do amor só será verdadeiramente de um Cupido que se preze depois de juntar dois cubos de gelo em cada copo e brindar. Sobre o que vier a seguir, o Padre Amaro enjeita qualquer responsabilidade.
Esta receita é dedicada à leitora «Quase Apaixonada».


 
Vidro Azul
Já houve quem sabiamente dissesse: «este é o melhor programa da rádio portuguesa». Tratava-se da mãe de Ricardo Mariano. E a mãe de Ricardo Mariano raramente se engana no que trata a assuntos da índole da sua filial. Este, agora sou eu que digo, é mesmo o melhor programa da rádio portuguesa. Pelo menos da rádio portuguesa séria. E quem ouse pensar o contrário que apareça para me desdizer. Ao pé do Vidro Azul a Íntima Fracção era só mesmo uma ínfima fracção.
Vidro Azul, segundas-feiras, das 22 às 23, na sua rádio de eleição. (O blog também é bastante bom, vale a pena ver.)


 
Última hora: o Padre Amaro está vivo!
É de informar os estimados clientes desta chafarica blogueira que o Padre Amaro não está verdadeiramente morto - apesar da sua aparência cadavérica -, apenas se encontra moribundo, afectado por maleitas diversas, de corpo e mente, e que, ao contrário de infames boatos que se fazem circular por toda esta blogosfera, o Padre Amaro continua activo. Se o nosso Príncipe de Roma se demonstra pronto para outras 28 voltas ao mundo e para mais uns 140 anos de Pontifício, também o Padre Amaro, apesar de todas as convulsões internas e atentados contra a sua honra, bom nome e esbelto físico, se vai aguentando por cá, para dar e vender... preocupações.


segunda-feira, outubro 13, 2003
 
Não mandem mais alheiras, eu já estou bom!
Quero agradecer, do fundo dos meus ainda infectados alvéolos pulmonares, aos milhares de fãs e respectivas famílias que enviaram votos de recuperação, pintos e alheiras de chaves, e que obstruíram com esses gestos de carinho a minha caixa de correio electrónico com frases como «foi uma pena, estiveste quase lá, foi uma pena, tive uma certa esperança». A esses e a todos os demais, o meu sincero agradecimento. Não é em vão que vos digo isto, o vosso apoio foi mesmo importante, pá. Pior do que esta gripe asiática, só mesmo um pratinho de gambas com ébola. Oxalá este Inverno não me desiluda.


 
Noite de spots na Rádio Universidade de Coimbra
A noite é de gravação de spots para a nova grelha da Rádio Universidade de Coimbra. Afinam-se as vozes e os espíritos criativos prostram-se ante a incapacidade de ir mais além. A presença de Fernando Alvim por estas paragens animou as hostes, numa noite que se prevê, para já, longa, de ideias ruminantes e de cafés esquecidos. Voltemos à tempestade cerebral que se faz tarde.


domingo, outubro 12, 2003
 
A minha semana de time-sharing na morgue mais famosa do país...
Não, não fui fazer as vezes de Paulo Pedroso nos calabouços do Estabelecimento Prisional de Lisboa, Ala P. Fui apenas acometido de um surto de gripe asiática que me obrigou a um recolhimento forçado em unidade hospitalar, longe de tudo e de todos, inclusive das enfermeiras mais voluptuosas. Ultrapassada a fase do isolamento e da câmara hiperbárica, é com um prazer desmedido que anuncio, para infelicidade de muito boa gente, e de gente ainda pior, que voltei, e que voltei bastante pior do que já era. Por isso cuidem-se... Bom...


quarta-feira, setembro 24, 2003
 
Humor corrosivo (para rir enquanto houver dentes para isso)
João Quadros regressa em grande com a sua A Armada Invisível. Qual Pacheco Pereira!? Este é mesmo o melhor humor da blogosfera.


 
Quem é que escreve este guião? (5)
"Eu sou um catedrático da sedução"
por Zezé Camarinha

Já agora gostaria de saber onde é que são dados esses cursos. Sobretudo porque acho que o meu inglês não está a contento.


 
Quem é que escreve este guião? (4)
"Piu!"
por Pintainho

Genial!


 
Quem é que escreve este guião? (3)
"Você realiza alguma espécie de ritual antes, durante ou após o ato de escrever?
Para começar um novo livro,estabeleci para mim mesmo um sinal - encontrar uma pena branca"

in Entrevista a Paulo Coelho, no sítio pessoal do mesmo

Apelo à mobilização geral para a eliminação pura e simples de todas as aves de pena branca, galinhas, gansos, catatuas, patos, patas, cegonhas, anjos, cisnes, gaivotas, pombas da paz, robin dos bosques, etc., etc., etc.. Todas as perdas serão, quando comparadas com a verve ameaçadora de Paulo Coelho - o rei do lugar comum -, um mal muito menor para toda a Humanidade.


 
Quem é que escreve este guião? (2)
"É verdade que você escreveu O Alquimista em quinze dias?
Sim. E, geralmente, todos os meus livros são escritos num período de duas a quatro semanas. (...)"

in Entrevista a Paulo Coelho, no sítio pessoal do mesmo

Fica então tudo explicado, caro Paulo Coelho. Tudo aquilo que eu ainda não tinha percebido.


 
José Cardoso Pires
Um dos mais brilhantes escritores de sempre da língua portuguesa é recordado hoje ao serão na RTP1, com a transmissão de um documentário sobre o autor e do filme O Delfim de Fernando Lopes, baseado no romance homónimo de Cardoso Pires. Se há nomes que não podem cair no esquecimento, o de José Cardoso Pires é um deles. A Câmara Municipal de Lisboa, ainda no tempo de João Soares, prometeu uma rua com o seu nome. Como tantas vezes acontece, ficámo-nos pelas boas intenções.


terça-feira, setembro 23, 2003
 
Quem é que escreve este guião? (1)
"Sou uma pessoa muito ocupada e estou aqui a dar um contributo para a Educação deste país. Não tenho tempo para estar a verificar se o que escrevo tem erros."
Por JHF

O país agradece o esforço, mas receio que se a ideia é dar um contributo para a Educação deste país, corrigir os erros daquilo que se escreve é capaz de ser o passo inicial a considerar. O segundo é em direcção ao precipício.

"Falo-vos desta feita sobre como formar a equipa de Operações perfeita. Na minha larga experiência da àrea de Sistemas, já fiz parte de equipas, umas boas, outras nem tanto, já fui chefiado por chefes mais ou menos bons, e como Director, já tive colaboradores bons e menos bons e até mediocres que tive de me livrar deles rapidamente.
Um bom colaborador nota-se logo pela aparência. Por exemplo, se é preto, usa cabelo comprido, brinco na orelha, barba por fazer, veste-se de gangas ou cheira mal, então posso desde já afirmar que não serve.
Não perca tempo com este individuo e passe ao próximo. Refiro-me as entrevistas iniciais.
A questão do preto exige uma explicação. Eu não sou rascista. Mas existem pessoas para todo o tipo de trabalhos e a minha experiência já confirmou que informática simplesmente não é o forte dos pretos."

Por JHF

Eu cá também não sou "rascista", mas digo o mesmo: as blogas simplesmente não são o forte dos informáticos.

"Hoje utilizamos CD's e DVD's (ainda mais recente que o CD) para fazer os nossos backups. Estes são discos opticos que funcionam por mecanismos de raios lazer, pelo que devemos ter cuidado e nunca olhar para o disco quando esta a gravar pois podemos danificar os olhos.
Os DVD's são muito melhores que os CD's. Gravam muito mais depressa, porque o CD so pode ter musica digital enquanto o DVD tem uma razpidez maior que equivale à da musica, mais às imagens que são muito maiores que a musica, logo é muito mais rápido."

Por JHF

Estes dois últimos parágrafos são de antologia, pelo que qualquer comentário destruirá toda a beleza de uma prosa tão envolvente. Lexicólogos e etimólogos deste país, ponham os olhos neste case study.


 
Quem é que escreve este guião? (editorial)
Inauguro hoje uma rubrica, intitulada 'Quem é que escreve este guião?', na qual me comprometerei a reproduzir as melhores pérolas de pensamento que ousem ameaçar-me as dendrites. Aqueles espertalhões que se assoberbarem a pisar-me os calos neuronais estão feitos comigo, fica o aviso. Por vezes entramos em confronto quasi físico com pensamentos, frases, irreflexões, que julgamos impossíveis brotar da inteligência de um comum mortal. Concluímos que só seres predestinados, reveladores de uma inteligência superior e alienígena poderão reunir as condições determinadas para reproduzir certas pérolas. A título de exemplo, não tenhamos quaisquer dúvidas de que os comentários de cada um dos jurados dos 'Ídolos' se encontram previamente escritos, enredados por uma vasta equipa de guionistas experientes e especializados nesse difícil registo que é o 'comentário de jurados de concursos de tv': "excitou-me mais o Borba do almoço do que a tua prestação"; "Tenho lá em casa um puto que tem um choro mais afinado do que a tua voz"; "Quando estás no acto sexual também tens um grito tão estridente?" (Lembro-me de há uns anos ouvir a então desconhecida Inês Serra Lopes dizer a um concorrente de A Filha da Cornélia: "não gostei de teu desempenho, estava uma porcaria". É ver onde está a Inês Serra Lopes agora, e compreendemos que isto de ser júri de concursos televisivos pode arruinar a carreira de alguém tão promissor.)
Devo confessar que a inauguração desta rubrica foi inspirada por esse vulto que a breve trecho se comprometeu a contribuir decisivamente para a Educação deste país. Não cumpriu, decepcionou-nos, mas mesmo assim o país espera pelo seu regresso heróico numa manhã de nevoeiro. De pé, minhas senhoras e meus senhores, para aplaudir com todo o sentimento, João Hugo Faria.
JHF registou a passagem mais fulgurante mas, ao mesmo tempo, uma das que marcas mais profundas deixou nos espíritos da blogosfera. JHF desapareceu sem deixar rasto, toda a blogosfera chorou a sua perda, mas o mito, meus senhores, esse, permanece vivo. Bem vivo!

(Podem utilizar integral ou parcialmente o texto que vos escrevi, desde que mencionem explicitamente a sua origem, acrescentando ao final do texto a nota "Por Padre Amaro" ou simplesmente "Por PA".)


segunda-feira, setembro 22, 2003
 
O seu a seu dono. Nota: a frase do post anterior ”Os campeões fazem-se da boa gestão dos recursos disponíveis” é ‘por JHF’. Era importante esclarecê-lo. (Essa bíblia das blogas já desapareceu, infelizmente, mas muito em breve procuraremos recuperar aqui alguns dos melhores concelhos dôtorais desse géneo da cumunicassão, João Hugo Faria.)


 
A prova de que Fernando Santos é um génio!
Os campeões fazem-se da boa gestão dos recursos disponíveis. Os jogos Moreirense-Sporting e FC Porto-Benfica vêm reafirmar aquilo que quero dizer. No primeiro, o jogador do Sporting, Clayton, conseguiu contrariar com algum escândalo todas as regras de probabilidades ao falhar um golo de baliza aberta a poucos minutos do fim, quando o resultado se encontrava ainda empatado a zero. No final do encontro, o Moreirense viria a marcar e o Sporting perderia o jogo por 1-0.
Na partida FC Porto-Benfica, o jogador Ricardo Fernandes apontou um canto do qual surgiria a cabeçada suicida do jogador Argel na direcção da própria baliza e o segundo golo dos portistas.
A boa gestão dos recursos humanos está aqui. Na época de defeso, Sporting e FC Porto chegaram a acordo para trocar estes dois jogadores; Ricardo Fernandes ingressou no Futebol Clube do Porto, Clayton veio para o Sporting. O primeiro está a jogar a titular e tem marcado e dado golos a marcar. O segundo tem sido suplente e, na altura em que foi chamado para tentar ajudar a resolver um jogo complicado, desperdiçou uma oportunidade de baliza aberta e fez o Sporting perder 3 pontos.
É nestas astúcias de balneário que se vão construindo campeões.


domingo, setembro 21, 2003
 
Esquerdalho cultural abocanha poder na SPA
A Sociedade Portuguesa de Autores tem uma nova direcção. Manuel Freire, o cantador do hino "A Pedra Filosofal", derrotou a lista liderada por Vasco Graça Moura, que já declarou com veemência estar absolvido desses pecadilhos que infamemente lhe foram apontados: além de ter afirmado que já teria regularizado as quotas da SPA em dívida, disse também não ser ele o autor de O Meu Pipi.
Dois aspectos me inquietam relativamente à mudança de direcção na SPA. Era óbvio que quando se está durante 30 anos a gerir uma instituição como a SPA se enquistam aqueles vícios próprios da vertigem do poder, e que, quase como por usucapião, as pessoas encarregadas do exercício de gestão deixam de agir como meros mandatados do grupo, para se comportarem como 'mandões' do grupo (chegando até, facto de maior preocupação, a assumir-se como 'latifundiários' da criatividade).
Luís Francisco Rebello ocupava a cadeira principal da SPA há 30 anos, transfigurando a imagem da instituição para um feudo de cariz familiar, ao mesmo tempo que olvidava aquilo para que vinha sendo eleito: a defesa dos interesses dos autores portugueses.
O que sucede é que, numa situação em que alguém ocupa o poder durante 30 anos (e aqui apenas se pode falar de complacência por parte da maioria que o foi reelegendo), surge a tentação perigosa de querer mudar tudo. Mudar a qualquer custo. A eleição de Manuel Freire sugere-me um cenário perigoso, a implantação de um PREC na Sociedade Portuguesa de Autores, o que me conduz desde logo à ideia de saneamentos mais ou menos arbitrários, de limpezas cirúrgicas, da politização decadente de uma instituição que, mais do que outra, deve unir-se em defesa dos ideais da liberdade de expressão artística e criativa. Uma politização da SPA alimentaria o pior dos cenários para a classe artística. Nisto tenho de concordar de com o Pedro Mexia, quando este fala na "ditadura cultural da esquerda". O discurso de Manuel Freire aponta para pôr ordem na casa: auditoria às contas da Sociedade, limpeza da estranha poeira que paira para os lados da Duque de Loulé. Acho que é importante saber com o que se pode contar quando se toma conta de um novo lar. Mas é também importante que essa nova ordem na casa não descambe para os excessos e tão tentadores desejos de revanche que sempre se deixam adivinhar em situações como esta.
Ao ouvir o discurso da liberdade e da democracia deste novo resfolegar da SPA, não posso deixar de me sentir titilado. Será que ao longo dos últimos 30 anos a SPA viveu debaixo de um regime de autocracia. Não tenho conhecimento de que o senhor Luís Francisco Rebello tenha caído no cadeirão da SPA há 30 anos e permanecido por lá colado por acção divina.
A outra coisa que me inquieta, tendo em conta que a SPA é uma sociedade de autores e que o presidente deve ser um entre pares, é saber há quanto tempo é que o Presidente Manuel Freire não é autor?


sábado, setembro 20, 2003
 
34 mil palavras, 4300 visitas. À deriva desde 17 de Julho de 2003. O que fazer com isto?


sexta-feira, setembro 19, 2003
 
Anda Pacheco!
O Pacheco Pereira mostra-se por estes dias um bocadinho irritado com a emergência fulgurante da bloga Muito Mentiroso. Desconfio que aquilo que inquieta o Pacheco nem será tanto a inefável tendência do senhor Mentiroso para fugir à verdade, mas um outro factor que toca fundo o autor do Abrupto. (No Muito Mentiroso só acredita quem quiser, e julgo que ao Pacheco Pereira conviria talvez recordar que uma das principais características do "pacto ficcional" no discurso narrativo é precisamente a concessão do leitor no que respeita à suspensão temporária da sua incredulidade.)
Vamos lá a saber: será verdade ou mentira que aquilo que mais preocupa o PP é que, à conta de toda a desinformação espalhada pelo Muito Mentiroso, este se arrisca já a ser o sítio mais procurado da blogosfera, ultrapassando de longe as 4 mil visitas diárias do Abrupto? É ou não verdade que isso incomoda o Pacheco Pereira, e muito? Porque é que o Pacheco Pereira vai articular o seu comentário semanal de Domingo na SIC com a existência desta bloga. E porque é que tudo vem sendo mantido estranhamente em segredo tanto pela SIC como pelo PP? Não será porque o factor surpresa atrai a audiência televisiva, sedenta da novidade incógnita? E não significará isto a comercialização do comentário político? Será isto coerente com as posições assumidas por Pacheco Pereira? Ficam as perguntas…


 
Comentário de uma mãe extremosa
- Tu é que és o muito mentiroso?
- Não!
- Tu és o muito mentiroso.
- Não sou não!
- De certeza que não és o muito mentiroso?
- Não sou, pelo menos que me lembre.
- Bom, mas então sabes quem é!
É o que dá, quando se tem a fama e os outros nos ficam com os proveitos.